28 de abr de 2010

Um lindo relato - O nascer do SOL!

Meninas esse relato é maravilhoso, eu li em uma comunidade no orkut e me arrepiei pela beleza das palavras, do momento, do nascimento!
O nascer do Ravi, que significa SOL...
Espero que esse relato incentive e mude a cabeça de muitas de mulheres... parir é lindo, e de uma maneira natural é perfeito! Inexplicável será? Confira:

O nascer do Sol
– Relato de um parto domiciliar, na água –

Eu passei um tempo certa de que esse relato era íntimo demais para ser colocado em uma comunidade pública e grande como essa, dividido com tantas pessoas que não me conhecem e eu não conheço, e assim eu o mantive apenas entre amigos até agora.


Mas depois de escutar algumas pessoas queridas refleti e cheguei à conclusão de que é necessário que as boas e felizes histórias de parto sejam contadas a tantas pessoas quantas queiram ouvir.
Só assim será possivel, algum dia, desvincularmos o parto da imagem amendrontadora que foi pintada para a nossa geração e nos livrarmos da quantidade de mitos e medos que se associaram a ele e que fizeram o desfavor de plantar nas mulheres a insegurança sobre o próprio corpo e sua capacidade de gestar e parir de forma saudável e prazerosa.
Então, se minha experiência inspirar alguém; se servir para plantar perguntas; para uma ou duas pessoas reverem os seus conceitos, crenças e preconceitos sobre o momento do nascimento, já valeu!
Beijos, Dany e Ravi.

Ravi veio a seu tempo, definitivamente. Desconstruindo de pronto todos os conceitos e ciências que tentam entender, pautar e explicar o processo do parto, suas fases e significados. Ravi não quer caber em estereótipos, não quer corresponder a expectativas nem ser facilmente interpretado, previsto ou enquadrado.
Nunca ouvi falar de um parto que acontecesse dessa forma, com longos intervalos, como foi o meu... O que quer dizer que se eu estivesse em um hospital ESTE parto não teria acontecido. Se eu fosse uma mulher menos informada, segura, tranquila ou determinada do que sou hoje e estivesse dentro de um hospital certamente sofreria toda a sorte de intervenções para que meu trabalho de parto se enquadrasse nos parâmetros minimamente aceitáveis para os critérios médicos. Graças a Deus, hoje sou uma mulher capaz de viver essa experiência da forma como aconteceu e fui abençoada com pessoas maravilhosas que me acompanharam e assistiram durante o processo todo. A queridíssima Mel, que muito mais que médica é uma verdadeira parteira e, além de tudo o que sabe, sabe também quando fazer nada. A Fabi, doula e querida, que me deu mais do que apoio. Minha família maravilhosa e sobretudo o meu Amor. O meu Amor foi tão perfeito quanto pode ser um companheiro nessa hora, desde a preparação para viver tudo isso, durante a gravidez, até o momento do parto. Isso sem falar em tantas mulheres especiais que, mesmo longe, foram presenças quase palpáveis em espírito e amor, como um círculo sagrado feminino de força e vibrações positivas ao meu redor.
Tudo estava pronto para receber o pequeno Ravi em nosso lar, tudo redondo e devidamente planejado. Nosso maior receio, de que ele chegasse antes da Mel, já havia se dissolvido. Eu completara 39 semanas no sábado e Melania chegou nesse mesmo dia, com Fabiana, e ficaria em minha casa até o nascimento. A paz se instalou em meu útero e eu relaxei completamente. Já estava com 3 cm de dilatação há pelo menos uma semana, agora tudo poderia começar quando ele quisesse.
No domingo fomos todos à praia, animados, na torcida para que algo acontecesse antes de segunda, quando meu irmão e minha cunhada, que tinham vindo para ver e filmar o nascimento do afilhado, precisariam ir embora.


Para tentar animar também o filhote a chegar logo, pratiquei todos os hots possíveis e imagináveis! rs Nadei muito no mar, estava feliz, plena e tranquila para o grande momento.
Na madrugada de domingo para segunda, tudo começou. Às duas da manhã eu estava com contrações regulares de 5 em 5 minutos , avisei a algumas amigas: Ele ia chegar!
Mal sabíamos de que forma tão especial e atípica seria essa chegada. Depois de 2 horas de contrações lindamente experienciadas embaixo da lua cheia, cantando, rindo e rebolando na bola, fiz uma pausa para colocar Luã na cama (sim, o mais velho sentiu a vibração diferente, acordou e quis se juntar a todos, brincando até as 4 da manhã!) e dormi, às 4:30. A essa altura, eu estava com contrações de 3 em 3 minutos, 5 cm de dilatação. Mas na hora em que deitei para fazê-lo dormir tudo parou!




Acordei às 6h sem nenhum sinal de contrações, achando tudo estranho e inesperado. Tomei café e resolvi fazer uma caminhada na praia com Xande. Fabi acordou e veio conosco. Assim que saí de casa as contrações voltaram, a cada 5 ou 3 minutos, fortes, eficientes.
Que coisa mais linda aquela manhã dourada, o cheiro do mar e eu com os pés na areia, na água, sentindo por fora e por dentro as ondas que trariam meu filho.
Depois da praia ainda paramos na padaria e levamos pãezinhos para todos em casa.



Mas eis que, chegando em casa, por volta de 8 horas as contrações param completamente de novo! Ninguém sabia mais o que pensar. Mel dizia que poderiam ser só pródromos, meu irmão já se consolava, prevendo que Ravi não nasceria mais naquele dia e que ele viajaria sem conhecer o sobrinho. Eu só sabia que, durante as contrações eu estava realmente em trabalho de parto, mas que por algum motivo ele estava me dando esses intervalos de recesso (confesso até que muito úteis, porque eu precisava mesmo descansar). Eu estava vivendo um TP por etapas, ao que parece! rs
Enfim, com raríssimas contrações eu dormi mais um pouco pela manhã e novamente à tarde, quando todos foram ao aeroporto. Me deitei às 16:30 e daí em diante o mais improvável ainda aconteceu.
Uma contração bem forte me despertou por volta de 18:30, tentei ficar mais na cama e senti mais uma, muito forte, eram umas 19h. Vi que não daria pra dormir e me levantei com uma dor de barriga. Já era o corpo se esvaziando, se preparando para o que viria a seguir. Daí fui para o computador, tentar entender se existia regularidade nessas contrações fortes. A próxima veio em 5 minutos, a seguinte em 4, a outra em 3 e a seguinte em 2! Então emendou tudo e eu fui pro chuveiro, tentar controlar a dor, estava tudo muito intenso. Xande chamou a Fabi para ficar comigo enquanto ele tentava aquecer a piscina e levava o Luã, a essa altura completamente hiperativo, sentindo a energia diferente sem entender bem o que rolava, para a casa de uma vizinha que ele adora. Minha mãe tinha saído para o mercado e não conseguíamos contactá-la, a solução foi tirá-lo de casa.
Quando Fabi chegou no chuveiro eu disse a ela que não estava entendendo nada. Não havia intervalo para respirar entre as contrações e eu só tinha sentido essa dor no nascimento de Luã quando já estava indo para a sala de parto. Ela me acalmava e dizia que estava tudo certo, que ele viria no tempo dele e me conectava com minha força. Por fim não havia mais posição que aliviasse e eu saí do chuveiro, já sentindo que minha pressão tinha abaixado e não dava pra continuar ali. Me joguei na cama de qualquer jeito e Fabi foi chamar a Mel.
Mel chegou me perguntando como estavam as contrações e eu disse: quase emendadas uma na outra. Pelo menos acho que falei isso, pois em seguida ela comentou que teria que me examinar, e eu achei que tinha respondido: não há a menor condição; mas ela me contou que na verdade eu não disse nada, só olhei para ela com um olhar incompreensível, de quem já está na partolândia, rs.
Nessa hora eu disse que queria fazer cocô. A Mel: tem certeza que é cocô? Não, eu não tinha certeza de mais nada! Só sei que sentei no vaso e não tive coragem de fazer força sem antes pôr a mão para garantir que não era o bebê. Mas era. Quando passei a mão senti que a cabeça estava no meio do caminho. Saí do banheiro e disse: Não tem exame, vai nascer.
Mel me perguntou se eu queria entrar na piscina que milagrosamente ainda estava morna, pois tinha sido aquecida de madrugada. Não deu tempo de ligar o aquecedor e nem de ferver a água. Entrei na água ao mesmo tempo em que Xande chegava no quarto e Fabi ligava a filmadora. Nesse momento as contrações deram uma pausa, uns 2 minutos... Como a natureza é sábia! É o tempo da concentração para o grand finale, para o momento da coragem maior, do salto no escuro, da expulsão do bebê. Nesse momento, pude ver depois no filme, eu estava absolutamente em transe, inclusive me balançava, como numa dança meditativa, uma coisa muito fora dessa órbita. Depois desses minutinhos de eternidade, Xande entrou na piscina comigo, de roupa e tudo e veio a contração derradeira.
Comecei a fazer força e senti medo de rasgar, então Mel e Xande começaram a vocalizar ao mesmo tempo e eu junto com eles, sem saber ao certo o que eu vocalizava. Senti a saída da cabecinha e só pensava em continuar a força e sentir meu filho de uma vez. Ele nasceu em uma só contração. Nasceu empelicado, envolto na bolsa e eu pude sentir a textura diferente no momento em que toquei a cabecinha que saía. Eu mesma o puxei de mim e o tirei da água para o meu colo. Meu Deus, para esse momento não há palavras! Não tenho como dividir isso com mais ninguém, é a experiência do sublime. É definitivamente da esfera do sagrado o que se sente no ambiente nesse momento, e não cabe em palavras. Ele veio todo enrolado em um cordão imenso, que passava pelas axilas, tórax, virilha e tornozelo, veio como um presentinho que eu fui desembrulhando... rs. Chorou apenas com a primeira lufada de ar que encheu seus pulmõezinhos, depois ficou manso, no peito, meu mamiferozinho. Minha mãe chegou em casa trinta segundos depois que Ravi nasceu, e nos olhou com olhos arregalados de quem não podia acreditar que perdera o grande momento. Ficamos ali nos namorando até que a água já não nos aquecia mais e o pequeno precisava de uma mantinha mais quente.

Sentei na banqueta para esperar pela saída da placenta e só depois que ela saiu o papai cortou o cordão, sem caber em si de emoção. Nesse momento ele levou Ravi para ser limpo e pesado enquanto Mel checava meu períneo. Apenas uma mínima laceração de mucosa, sem necessidade de sutura, mesmo em um parto tão rápido. Maravilha!
Depois de tudo estávamos todos embriagados de ocitocina, em uma felicidade sem fim e certos de que não há nenhum lugar melhor para receber um bebê que a nossa casa, entre os que amamos. Os nossos sorrisos e lágrimas confirmavam isso e a carinha tranquila de bebê feliz do Ravi era o prêmio maior.
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E foi assim, no dia 08 de junho, às 19:30, de forma tsunâmica, intensa e emocionante que chegou o nosso Rei Sol, para iluminar ainda mais os dias nossos.




PS: Hoje de manhã, cheirei sua cabecinha e o cheiro ainda era de parto, era de filhote, de cria. Um cheiro que me embriagava de memórias do parto e reativava todos os hormônios e lembranças, sinestesicamente. Coisa de mamífera, mesmo.
(Relato escrito no dia 08/08/2009)
Perfeito não?
Eu não me canso de ler...

DICA 04
A gente gosta mesmo é de privacidade!

22 Comentários:

fernanda. disse...

Nossa, realmente emocionante.
Mas eu ainda sou medrosa (e nova) e não tenho coragem de fazer um parto em caso, com medo de complicações.
Quero no hospital mesmo, mas o mais "normal" possível.

Lindo relato, lindo mesmo.
Beijos

@pontoeffe

Patty disse...

Nossa que lindooo! Me emocionei lendo!

Jaque disse...

Simplesmente fantastico...

To emocionada...

Noiva ZY disse...

Nossa que coisa mais linda, fiquei emocionada, muito lindo, a naturalidade com que tudo aconteceu!!! Perfeito!!

aninha disse...

Lindoooo
ate me arrepiei!!!!
Me emocionei!
lindo mesmo!!!!
tbm qro um parto assim :D
bjO

Ké e Lucas em Motherland disse...

Não sei nem o que falar. Um SONHO de parto. Um dia vou conseguir algo parecido, no próximo bebê!

Poliana disse...

Que sonho de parto! Que história linda! Amei! Parabéns a essa mamãe tão corajosa e sábia! Bjs

Manu disse...

Lindo de se ler!
ADOREI!!

Beijos

Deise disse...

Nossa!!! nunca li nada parecido.
Muito interessante e diferente.
Ainda bem que ela tinha suporte pra isso,eu sou medrosa e como cada um sabe o seu limite,acredito que eu não conseguiria ter um parto assim.
Muito corajosa essa mamãe.
Parabéns pra ela.
Bjussss

Sah disse...

Nossa, eu teria ficado mto mas mto apavorada.Qdo estagiei na obstetricia vi tanta coisa acontecer pq nao chegoou a tempo no hospital, pq complicou...fora o medo de ter parado as contraçoes por sofrimento fetal!realmente é lindo, mas so faria isso se estivesse dentro d eum hospital "ambientado" com o clima domiciliar...rsrsrs
Espero ansiosa a sua visitinha sempre gentil no http://ameliareinventada.blogspot.com
bjs

Daiah disse...

Que Lindoooooooooooo!
Fique arrepiada e muiiiiiiiiiiito emocionada!

Tati disse...

Menina eu chorei, q lindo este relato ...

UM beijooo

Than disse...

Relato intenso e no minimo corajoso por parte dela. Acho q somos poucas ainda q temos coragem de ousar e ter nossos filhos, assim, em casa. Eu sinceramente acho q nao teria!
Mas foi intenso. Foi unico e ela nunca se esquecerá desse momento. Nem ela e nem ng q estava com ela.
Parabens a ela pela coragem e determinação. Ela deu sorte talvez das contrações nao serem tão fortes a ponto de serem insuportaveis. Nao sei tb!
Mas achei lindo esse relato.
Td conspirou a favor!

Bjos

Jessica disse...

Q lindo, q dádiva de Deus
Simplesmente emocionante...
Eu gostaria de ter o meu parto em casa...
Bjooo

Kety disse...

Gente, que coisa mais linda! intenso, maravilhoso!! nossa será que eu tenho coragem?? rs
beijos!

Ana Paula Gassner disse...

Fantástico!
Estremamente emocionante...
Lindo mesmo...
Beijos

Lingeries Finas disse...

lindo mesmo...
impossível ñ se apaixonar....

mil beijos

Dany Leal disse...

Oi gente, eu sou a Dany, autora do relato. Quando Dina me pediu autorização para trazê-lo para cá o que eu disse foi justamente que quanto mais gente puder parar para ler uma experiência de parto boa, na contramão de tudo o que costumamos escutar ultimamente, melhor.
Eu tenho o maior prazer de responder a qualquer pessoa que quiser saber mais sobre esse processo, ou mesmo que queira informações, dicas de leituras ou o que seja sobre parto humanizado. É uma experiência maravilhosa, mas que exige consciência, informação e desejo. Podem me procurar por email ou orkut se quiserem conversar.


Só para esclarecer sobre a questão da possibilidade de sofrimento fetal: É muito diferente um parto domiciliar bem assistido de um acidental ou do tempo das nossas bisavós. A obstetra ou a obstetriz que assistem o parto tem inúmeros cuidados e há uma malinha com apetrechos, caso haja alguma intercorrência. Nós estivemos sempre tranquilos para continuar em casa não por coragem, rs, mas porque havia um doppler para auscultar o bebê e os batimentos cardíacos se mantiveram ótimos todo o tempo.
Além disso meinha obstetra é uma profissional super qualificada em quem eu tinha plena confiança.

Para quem não conhece Melania Amorim é uma das grandes cabeças do movimento de Humanização do nascimento no Brasil: http://guiadobebe.uol.com.br/parto/parto_em_casa_e_seguro.htm

Beijocas,

Dany e Ravi, com 10 meses, já!

Dina disse...

Parabéns Dany mais uma vez, e obrigada por dividir conosco seu relato!

Nat disse...

Gente que coisa mais linda...
Perfeito...
Amei..
Mas falta coragem...rs

Priscila disse...

Vc está de parabéns pela sua força e coragem!!
E que lindo relato.
Adorei e repassei...

Nanda Siepierski disse...

Noooossa!!! Parabeeeens XDDD

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